6 de janeiro de 2012

Cartolas? Pinceis? Quero antes um bisturi!

Muito se tem falado sobre o Cirque du Soleil e uma coisa eu posso garantir após as cirurgias a que eu hoje assisti no IPO: não há truque de magia que se possa sequer comparar a alguns dos fenómenos que alguns médicos preconizam por ali. Não vou contar detalhes não vá algum não-médico, não-projecto, etc ter acabado de jantar e processar-me, antes mesmo da minha carreira começar, por má conduta e indução do vómito... mas daquelas salas do bloco saem obras de arte que fazem o Picasso "agitar o caixão". Dado o adiantar da hora, deixo-vos com a habitual musiquinha pré-belas adormecidas. Convido-vos a ouvir Isaura Santos, com uma das músicas que mais ouvi em 2011. Ela tem outros temas óptimos... este para mim é divinal!




(ficam dois cartões de parabéns adiados… A. e M. estou com a inspiração tão mas tão baixa que se a troika sabe vem cá e leva-me!)

MJ.

5 de janeiro de 2012

Isto há com cada uma!

Hoje vinha aqui apenas para dar os parabéns a uma certa e determinada pessoa mas, já que aqui estou, vou pedir a essa pessoa para aguardar um bocadinho e vou falar sobre um assunto que me apoquentou durante a maravilhosa viagem de autocarro do hospital até casa. A menina agora tem a mania que quer estar muito actualizada em termos de reportório musical e, por essa razão, aproveita as viagens para ouvir rádio. Ora hoje, qual não é o meu espanto, a locutora de rádio inicia toda uma dissertação sobre trabalho. “Meus caros ouvintes, a próxima música é para vocês que trabalharam todo o dia e que agora regressam a casa. Para os que ainda trabalham, força, eu estou solidária com vocês, pensem que deve estar quase a acabar e que além do mais é quinta-feira. E durante esta música parem, escondam-se num recanto e desfrutem-na!”. Esta ouvinte pode responder? Pode? Até vir para a faculdade vivia com duas pessoas que trabalhavam até tarde, que se dedicavam à sua profissão e que tentavam melhorar a cada dia, que eram capazes de falar sobre o dia cansativo que tiveram e contar as suas “aventuras” durante todo o jantar e que falavam disso com amor e orgulho. Todos os restantes exemplos dados por diferentes classes de trabalhadores da minha família e de diferentes áreas apontam no caminho do brio profissional. Assim sendo, eu acredito que, independentemente da profissão, e não excluo as pessoas que trabalham em algo que não gostam propriamente, é possível trabalhar e melhorar a cada dia, gostar ou aprender a gostar do que se faz e não passar a semana focado num objectivo: o fim-de-semana. Para mim as pessoas que trabalham não são mártires, não estão em sofrimento nem precisam que ninguém esteja solidário para com elas (salvo raríssimas excepções). Se eu já não achava piada a imagens a encherem o facebook sobre o facto de ser segunda ou sexta-feira, hoje foi a gota de água. Acho que o poder que os media, e esta rádio em particular, têm pode ser usado para muito mais do que a promoção da “cultura de não fazer nenhum”.
Ok... vou respirar fundo porque isto foi escrito a mil à hora! Agora coisinhas bem mais interessantes:



MJ.

4 de janeiro de 2012

A Proposta Milionária de MJ

Ontem quase que suplicava para que o dia de hoje fosse rico em cirurgias (e das boas) … e não é que foi mesmo? Normalmente somos quinze projectos a um osso (ou órgão, ou procedimento, ou qualquer coisa!) mas hoje eramos menos e a menina deliciou-se. A manhã foi preenchida com laparoscopias, ou seja, cirurgias minimamente invasivas em que são feitos uns furinhos nos doentes e se trabalha com instrumentos inseridos nestes observando-se o procedimento através de imagens emitidas num ecrã e captadas por um laparoscópio, inserido num furinho também. Pronto, já sei que os “não profissionais de sáude” vão dizer que eu pirei de vez porque não perceberam nada mas deve haver vídeos no youtube.




Eu gosto particularmente destas cirurgias porque o meu metro e meio de gente vê e percebe muita coisa, o que não acontece muitas vezes nas cirurgias abertas porque o doente está basicamente ao nível dos meus globos oculares e neste serviço não há enfermeiras simpáticas a oferecerem estrados à “doutora pequenina”(ou se há ainda não tive o prazer de me cruzar com nenhuma!). A sério que eu podia passar lá a minha vida a ver baços roxos e brilhantes, diafragmas palpitantes porque o coração não pára quieto, artérias minúsculas a pulsar como “gente grande”… era só darem-me comida (pipocas estava óptimo) e um sofá! E porque eu garanto a quem nunca viu que aquilo destrona qualquer filme com dez nomeações para os óscares, tenho uma proposta de alta envergadura a fazer…

Caros “chefões” da TVI, pelos vistos o maravilhoso programa que passava no vosso canal ao domingo à noite e sei lá mais quando, com meia dúzia de gatos-pingados ou que não podiam com um gato pelo rabo ou gatos escaldados ou outras gatarias quaisquer, terminou. Assim, se precisarem de algo para preencher o vosso horário nobre apostem em… vídeos de laparoscopias! É remédio santo contra o programa de gordinhos porque as pessoas quando virem como são realmente as gordurinhas não voltam a por um donut que seja na boca, há órgãos que são tão lindos mas tão lindos que substituem perfeitamente os eu-sou-giro-e-portanto-vou-ser-actor-embora-não-perceba-nada-disto e se pedirem muito eu apresento-vos uns cirurgiões que são a encarnação da comédia ou do drama, que provocam tremores só com o olhar ou que são mais fofinhos que um novelo de lã… há para todos os gostos! Depois falamos sobre o valor desta proposta, boa? Atenciosamente,

MJ.

3 de janeiro de 2012

Dia de Rainhas

Parece que dia 3 é dia de rainhas... só assim se justifica o aparecimento deste objecto no meu quarto, certo senhora D.?
Lá dentro estavam coisinhas maravilhosas e cheirosas e eu agradeço muito!




Hoje, minha querida, esta é para ti:




MJ.

Diz-me o que tens... dir-te-ei se percebi!

Hoje vamos voltar às coisas da saúde porque eu sei que já têm saudades de ler sobre a minha vida enquanto projecto de médico. A menina, ainda um bebé nestas lides hospitalares, tem-se deparado com um rol de situações que fazem as delícias do seu lado mais humorístico. Não estou, obviamente, a falar das “maleitas” que atacam os doentes com quem me cruzo nem dos seus problemas… trata-se da comunicação entre a “doutorazinha de catorze anos” ou “a netinha que eu gostava de ter”, como já fui apelidada, e os “meus” doentes. De facto, muitas das vezes é um verdadeiro quebra-cabeças decifrar o que nos querem transmitir. Os aparelhos genitais constituem o exemplo mais flagrante, tal é a panóplia de denominações que conseguem surgir numa conversa em que o tema é abordado. Os nomes das doenças (“diabretes”, “cancaros” e muitos outros) são também alvo de “renomeações” muito criativas.
Uma outra situação interessante é quando tentamos averiguar a causa de morte de familiares. Ao que parece, antigamente era frequente morrer por se ter o diabo no corpo ou por ter visto o diabo (ao que parece um senhor morreu de pé quando o viu) ou de desgosto.



Depois há ainda "doentes manhosos":
- "Então o Sr. bebe?"
- "Ai menina, por quem me toma... bebo às refeições"
- "Está bem. Então diga-me quantas refeições faz e o que bebe em cada uma, por favor"
- "Ora bem, um copo de vinho ao meio da manhã quando venho do campo, dois ao almoço, um bagaço com o café, dois ao lanche..."
Ia agora acabar mas lembrei-me de uns casos maravilhosos e que uma assistente que tive no ano anterior apelidava “doentes de amor”. Trata-se de pessoas que surgem no hospital com queixas variadas mas que são curadas apenas com a nossa atenção, umas festinhas nas pernas, umas auscultações meiguinhas e uma conversa calma… com amor! Enfim, um dia na enfermaria foi a cura perfeita para a nostalgia da noite de ontem… cirurgia, surpreende-me amanhã!


(antes que me "mordam", eu trato os doentes por você... mas o título ficava mais giro assim!)

MJ.

2 de janeiro de 2012

Amor platónico ou troca temporária de estação do ano

A esta hora o que se pode esperar que eu poste? Claro que é uma musiquinha para ouvirem antes de irem para o vale de lençóis. E vou continuar com música portuguesa mas desta vez do meu amor platónico... eu e este senhor teríamos um relacionamento perfeito porque sempre que eu estivesse de mau humor, sem paciência, ele me fizesse passar dos carretos, tivéssemos qualquer tipo de divergência, etc (o que não é coisa muito difícil por estes lados) bastava que cantasse para mim e passar-se-ia um fenómeno de irresistibilidade pura e inexplicável e eu ficaria feliz outra vez. Pelo menos eu gosto de pensar assim, meu querido Tiago Bettencourt!





Quanto a esta música, eu não pirei de vez e sei que estamos em pleno Inverno (estive na Guarda muitos dias a comprovar as maravilhosas temperaturas desta época) mas foram muitas as manhãs de Outono em que a ouvi, principalmente naquele efémero período cor-de-rosa da minha vida em que todos os dias via bebés e/ou mamãs felizes e contentes e/ou futuras mamãs e/ou outras coisas não tão interessantes mas que no contexto eram tão bem toleradas... nostalgias de quem esteve duas semanas sem entrar num hospital!


MJ.

Piropos para os meus ouvidos!


E para o primeiro post do ano escolhi um tema controverso: PIROPOS. Há quem goste, quem deteste, quem seja indiferente, quem os diga e quem os oiça. Aqui a menina acha um piadão aos piropos. Antes de começarem a pensar “é tão maluquinha, coitada” devo esclarecer que gosto de piropos giros e engraçados. Quanto às badalhoquices proferidas por homens sedentos de uma bela chapada naquela cara, os “eu fazia, eu acontecia, eu isto e eu aquilo”, recebem da minha parte repulsão extrema. Agora sair de casa bem cedo e ouvir alguém elogiar-nos decentemente a mim cai-me particularmente bem e até sou menina de tirar os phones dos ouvidos para que aquilo entre e ressoe. Ego em baixo? Nem por isso… no alto do meu metro e oitenta menos trinta centímetros nunca fui uma wannabe coisa nenhuma, simplesmente um piropo que me agrade leva um sorriso ou riso de retribuição. É também importante dizer que se não existissem piropos seria muito mais difícil colectar o número de nomes e adjectivos atribuíveis a uma mulher. Beleza, boneca, jóia, pérola… quem dá mais?


De regresso a Lisboa, e com a casa em obras (parece uma revolução com pó à mistura), podia-se esperar que que os ouvidos da menina (e das outras quatro ladies que por aqui vivem) tivessem tido uma overdose... os trabalhadores são imigrantes (proveniência desconhecida) e pouco falam em português e portanto também ainda não devem ter sido instruídos na arte de "piropiar".



 MJ.