(de ressaca pós exame... a autora não se responsabiliza por eventuais danos ou por partes do post que se segue parecerem tirados de panfletos de religiões esquisitas)
Eu tenho uma opinião muito sedimentada sobre a personalidade
de cada um, a criação do nosso eu (pronto, admito que isto ultrapassa o limiar
filosófico… pelo menos o meu!). Mas prosseguindo, aqui a cachopa gosta de
pensar em crianças como taças, às quais se vão adicionando ingredientes e que,
depois do forno que é a adolescência, se tornam bolos. Ok, agora acham que eu
tenho um parafuso desapertado? Pois, acreditem que a outra forma de expor esta
teoria envolvia doentes, médicos, agulhas, soros e afins… por isso bolos sempre
é mais fofinho! Mas continuando, a meu ver há taças que terminam o processo
vazias (já ouviram a expressão “cabeça oca”?), bolos com mais ou menos
ingredientes, bolos light, bolos bem e mal cozidos… há gostos e pessoas para
tudo. Passando directamente para a minha pessoa… pois, eu acho que neste metro
e meio de gente há ingredientes até mais não. É óbvio que as pessoas que mais
marcadamente inseriram o seu cunho foram os meus mais-que-tudo, ou seja, os
belos dos progenitores, seguidos por outros membros da família que conseguiram
deixar a sua marca… e vincada. Logo a seguir vêm os meus amigos e professores. Eu
acho que o papel desempenhado pelos últimos depende (e muito) do aluno e do
quanto se quer/deixa influenciar. Aqui a cachopa sempre foi um terror na sala
de aula. Estão a ver os bonecos de corda? Igualzinha, faladora como só ela. E
estão a imaginar aqui a menina a dar as suas opiniões? Um martírio. Este
assunto dava para escrever durante horas mas, como não quero esgotar-vos a
paciência, vou começar e acabar (por hoje… não perdem pela demora) por falar na
primeiríssima das primeiríssimas… a minha educadora de infância.

Ok, muitos de
vocês não se lembram da vossa e eu, alminha detentora de uma das piores
memórias que eu conheço, lembro-me porquê? Porque estamos a falar de uma
senhora que marca as pedras da calçada por onde passa! Eu lembro-me das roupas que
usava (eu nunca tinha visto indumentarias tão diferentes e ao mesmo tempo tão
giras), lembro-me do perfume, lembro-me das brincadeiras, lembro-me da
determinação, lembro-me da meiguice, dos desfiles de moda, dos concursos de
música… lembro de pensar “quando for grande quero ser como a P.”. Ainda hoje,
quando a vejo com as suas filhinhas (que me fazem pensar “estás aqui estás com
rugas até ao umbigo" porque têm a idade que eu tinha quando conheci a P.), me
apetece abraçá-la e dizer-lhe o quão importante foi para mim. A primeira coisa
que me ensinou? Sê quem quiseres… mas nunca deixes de seres tu.
E porque raio decidi eu contar-vos tal coisa? Ora bem,
porque acho que raras são as vezes em que revelamos aos outros o bem que nos
fazem (escrever é tão mais fácil) e, verdade seja dita, porque a P. faz anos
hoje!
MJ.